Existe um consenso confortável de que interface boa é interface espaçada. Ele nasceu em página de venda, onde o visitante chega frio, sem contexto e sem paciência, e cada elemento precisa de ar para ser notado.
Depois esse consenso vazou para dentro do produto, e virou padrão em telas que ninguém visita: telas que alguém abre às sete da manhã e fecha às sete da noite.
O usuário de operação já sabe onde olhar
Quem usa a mesma tela por doze horas não precisa ser guiado. Precisa que a informação esteja onde estava ontem, e que caiba o máximo possível sem rolagem.
Cada rolagem é uma consulta à memória de curto prazo. Cinco linhas a mais por tela, multiplicadas por cinquenta consultas no turno, mudam a sensação de trabalhar com aquele sistema.
O teste que costuma revelar o erro
Peça para alguém que usa a ferramenta todo dia contar quantas vezes rolou a página na última hora. Se a resposta for alta e o conteúdo for tabular, o espaçamento está resolvendo um problema que essa pessoa não tem.
Onde a densidade realmente atrapalha
Em tela de decisão rara. Configuração, cadastro, qualquer coisa que a pessoa faz uma vez por mês e precisa reler para entender. Aí o ar ajuda, porque o custo ali é interpretação, não volume.
A regra prática que uso: quanto maior a frequência de uso, maior a densidade aceitável. Tela diária pode ser densa. Tela mensal precisa ser explícita.